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"Ser jovem é ter arte de inventar..... por que pra ser feliz a gente inventa!"
Por: David da Silva e Natasha Fonseca

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Por: Vanderlei Martinelli

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Ser jovem é ter arte de inventar..... por que pra ser feliz a gente inventa!

 

David da Silva
Natasha Fonseca


(...)ser jovem é viver a vida sim, seja com responsabilidade ou não, mas sempre com muita intensidade,criatividade e vontade de mudar o que não está legal. o que nos incomoda, o que é injusto, alguns de formas bem radicais, outros de formas delicadas, mas sempre e na maioria das vezes através da linguagem lúdica. Ser jovem é ter arte de mudar,de inventar..... Porque:
....Pra ser feliz a gente inventa
Conta piadas no sinal
Fala da vida da formiga
E diz que nada vai dar mal.
E assim nós jovens vamos a luta
A começar por nosso Brasil
Por Políticas Públicas de juventude
que deixe as juventudes mais a mil.
( Elisangela Nunes, 11/02/2004- Fórum Juventude- Ser Jovem” – www.projetojuventude.org.br.

 

Introdução


O que este artigo se propõe é uma reflexão sobre as possibilidades de debater e propor um novo modelo de participação dos jovens para a criação promoção de políticas públicas para juventude, sustentando o objetivo central de combate às ações implementadas sem uma discussão com o principal interessado: o jovem.
O artigo foi estruturado a partir de um apanhado conceitual sobre juventude, o qual foi abordado, não só os conceitos institucionais ou acadêmicos, mas também , o conceito do jovem sobre si mesmo.É sob esse caleidoscópio de conceitos, que se analisa a situação do jovem no Brasil , e no Rio de Janeiro , através de dados do IBGE.


O artigo segue trazendo a tona seu debate central, como as políticas para juventude são construídas, enfatizando a necessidade de ampliação da participação do Jovem. A reboque desta discussão o artigo aborda propostas e estratégias de inserção destes jovens, pela experiência do CIEDS, e pela Proposta da Rede.


Juventude ou Juventudes ?!


Assim, sob as palavras da jovem Elisangela introduz-se este artigo sobre o tema da juventude, no qual buscou-se enfatizar a juventude por todos seus aspectos estruturantes, com foco no ator, protagonista do mundo atual que enfrentam as crescentes desigualdades sociais do país sem perder a sua diversidade de estilos e identidades.


A condição juvenil é dada pelo fato de os indivíduos estarem vivendo um período específico do ciclo de vida, num determinado momento histórico e cenário cultural. No contexto atual, juventude é, idealmente, o tempo em que se completa a formação física, intelectual, psíquica, social e cultural, processando-se a passagem da condição de dependência para a de autonomia em relação à família de origem. A pessoa torna-se capaz de produzir (trabalhar), reproduzir (ter filhos e criá-los), manter-se e prover a outros, participar plenamente da vida social, com todos os direitos e responsabilidades. Portanto, trata-se de uma fase marcada centralmente por processos de definição e de inserção social.

DEFINIÇÃO RETIRADA DO “DOCUMENTO DE CONCLUSÃO”-DOS DEBATES RELACIONADOS AO PROJETO JUVENTUDE. PARA MAIORES INFORMAÇÕES WWW.PROJETOJUVENTUDE.ORG.BR

A partir dessa diversidade de estilos e identidades, a juventude pode ser considerada um fenômeno multidimensional, com o qual procura-se entender os diversos fatores que a compõem. Por um lado, a juventude é o momento que o individuo começa a ampliar suas responsabilidades e responder individualmente as diversas relações sociais que o cercam. Por outro lado, esta é um período de transição, de diversas transformações biológicas e psicológicas, é deixar de ser criança e ainda não ser um adulto. E é ainda, a fase da vida em que se constrói a sua personalidade e suas escolhas de acordo com o contexto social, cultural e econômico que se está inserido.


Essa contextualização é de grande importância para certificar que se está falando de uma população heterogênea, com identidades próprias, ou seja, não estamos falando de juventude, e sim de juventudes.


A juventude é por natureza impregnada de simbolismos, potencialidades, fragilidades e inexplicáveis ambigüidades. Todas essas características devem ser avaliadas e levadas em conta quando se pensam na função, na atuação e na inserção desse jovem na sociedade, pois é a partir deste conjunto que se devem construir as políticas voltadas para as diferentes juventudes,ou seja,são essas as potencialidades que devem ser exploradas para elaboração de toda e qualquer proposta voltada a esses jovens.


Dados sobre a juventude brasileira


A juventude brasileira é composta de 34,1 milhões de jovens entre 15 e 24 anos de idade, o que representa 20,1% do da população do país. É a esta parcela da população que hoje se aufere o futuro da nação. Mas de que futuro?
Os dados do último CENSO apontam que do total de jovens, 9 milhões vivem abaixo da linha de pobreza, 26% da juventude brasileira dispõe de uma a renda per capta inferior a R$ 61,00. Esse dado dá uma clara dimensão de uma das múltiplas desigualdades referentes aos índices de escolarização, renda, desemprego, mortalidade, gênero que marcam, especialmente as condições de vida os jovens brasileiros.


A juventude, porta de entrada para a vida adulta, quando a necessidade de inserção econômica é conjugada a necessidade de ampliação de escolaridade.Em função deste momento específico, tem-se apresentado uma ampliação considerável na taxa de escolarização entre a população juvenil , principalmente na faixa de 15 a 17 anos que foi ampliada de 55% para 78,8% . Contudo a maioria desses jovens ainda freqüenta o ensino fundamental.


Os índices de escolarização são mais frágeis quanto aos jovens entre 18 e 19 anos, já que apenas 50,3% dessa população freqüentam a escola. Os índices caem ainda mais entre os jovens de 20 a 24 anos, pois apenas 26,5% podem ter acesso à escolarização já que a maioria que se enquadra nessa faixa etária precisam trabalhar.


Se por um lado à necessidade de inserção no mundo do trabalho é um dos fatores de abandono ou desistência da permanência na escola, por outro o desemprego representa um dos mais graves dilemas vividos por esses jovens . No caso do Rio de Janeiro a situação se agrava, como se pode observar na tabela a seguir:

Toda essa situação de desemprego e pressão para a inserção dos jovens no mercado de trabalho se acirrara na última década, inclusive pela precarização da força de trabalho, instabilidade das vagas e baixa qualificação profissional, levando a crise do desemprego juvenil.


Pode-se afirmar, desta forma, que os jovens pobres têm se deparado com limites, em alto grau, em relação as suas possibilidades de acesso ao primeiro emprego e de continuidade dos estudos, criando barreiras para construção de novas perspectivas, além de um o sentimento de frustração, desânimo e falta de futuro.


Contudo, esses jovens encaram esse quadro com a perseverança e a criatividade que lhes são peculiares. Pois como pode ser constatada, historicamente, a juventude tem sido o ator social de mudança, pois desde os anos 60, esta tem se apresentado como questionadora da sociedade, de usos e costumes, desigualdades e injustiças. A juventude herdou sobretudo o caráter estruturante de utopias sociais e políticas, desde os movimentos pró-democracia da década de 70, demonstrando todo seu engajamento político e social. Nos anos 80 essa juventude, diante de uma maior liberdade política, assume o seu protagonismo nos movimentos culturais, sociais e em prol da ampliação da sua cidadania.

Políticas para Juventude


Quais os anseios da juventude de hoje? Elisângela a jovem que nos presenteia com seu depoimento traduz em rimas as necessidades que essas diferentes juventudes buscam --“(...) vontade de mudar o que não está legal. o que nos incomoda, o que é injusto(...) . E assim, se percebe o quanto se faz necessário a criação de um espaço no qual o jovem possa ter participação na construção de ações e de políticas públicas que visem o seu desenvolvimento social e cidadão.
Inspirada nas juventudes da década de 60 e 70, os jovens dos dias de hoje buscam maior participação, mesmo sofrendo a influência da sociedade de consumo e globalizada, buscam por maior participação, sejam através de fóruns na Internet ou em ações locais, nas suas comunidades ou nos seus bairros.


Como aponta Elisangela em seu depoimento --“(...) E assim nós jovens vamos a luta(...)A começar por nosso Brasil, por Políticas Públicas de Juventude que deixem as juventudes mais a mil(...)--” as propostas pensadas para o público com idade entre 15 e 24 anos de idade devem ter o objetivo de propiciar mudanças e avanços em sua realidade,e, em particular para aqueles que residem em áreas consideradas de risco, tendo em vista que é essa fatia da juventude que tem enfrentado problemas em relação a sua formação e inserção no meio social. Desta forma, torna-se cada vez mais necessário ampliar o espaço de debate e proposição desses jovens, que mesmo nas suas individualidades e identidades pensarem coletivamente na construção de políticas para juventude.


É importante salientar que como políticas entendem-se “as ações coordenadas de objetivos públicos” e, por isso, se faz necessário não confundir essas políticas públicas com políticas governamentais. Assim, a sociedade civil tem participado, em muitos momentos, para o desenvolvimento e execução dessas políticas públicas para a juventude, mas essa participação tem que ser ampliada também para participação juvenil em propostas que reflitam seu próprio desenvolvimento.
A verdadeira batalha pelo futuro deve ser travada em torno da construção de alternativas, oportunidades, escolaridade, capacitação e inclusão social desses jovens. Uma vez que a representatividade populacional da juventude é extensa e as ações que são pensadas para esse público ainda não atende a todos.


O que se propõe neste artigo é uma reflexão sobre as possibilidades de debater e propor um novo modelo de políticas para juventude e combater ações implementadas sem discussão com o principal interessado: o jovem.


É importante que esses trabalhos sejam realizados de forma participativa, envolvendo o jovem desde sua construção até sua execução. Pois hoje os responsáveis por essas ações encontram-se concentrados em uma construção de gabinete, ou seja, não participam os verdadeiros interessados. Os interesses em resultados quantitativos são maiores aos qualitativos.


As organizações juvenis, como grêmios, ONGs, Grupos Culturais e Grupos Comunitários têm apontado como grandes desafios a serem superados:


• a falta de reconhecimento da sociedade (nossos representantes públicos) para com elas;
• a falta de apoio de outros atores da sociedade para o seu desenvolvimento ;e
• além de ser o rotulada como eternamente inexperiente.

Para a maior parte dos adultos, é difícil perceber valores nas ações empreendidas pela juventude, perceber as organizações juvenis como parceiras estratégicas na promoção do desenvolvimento.
Temos que começar a investir no potencial do jovem, criar meios de comunicação onde possam trocar experiências e conhecerem realidades distintas existentes nesse meio, e com isso pensarem em mobilização e formação de grupos que visem a implantação de políticas democráticas e inclusivas de/para/com a juventude.

O Cieds e a juventude

Foi refletindo sobre a necessidade da juventude em ampliar o seu debate sobre políticas voltadas à mesma, que o Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável - CIEDS insere esse foco na construção de propostas voltadas para tal público.


Desde de 1998 o CIEDS investe em projetos com foco na juventude, o como o AGENTE JOVEM. Já,no inicio de 2000 foi implementado, com o apoio do Ministério da Justiça, o Observatório de Direitos Humanos . Ambos projetos incentivavam o protagonismo juvenil.


Uma outra proposta institucional de resultados qualitativos, foi o Projeto Afro Ascendentes que contribuiu para/com 20 jovens moradores de favelas em sua inserção nas universidades públicas e particulares.


O sucesso de suas ações voltadas para o público jovem, fez o CIEDS, em agosto de 2004, com o apoio da PETROBRAS, iniciar o Projeto Juventude Que Faz e Acontece, que acabara se tornando uma referência da instituição no trabalho voltado para formação cidadã e cultural ao público mais jovem.
O JQFA foi um projeto que buscou, no período de um ano, conjugar o processo de formação cidadã e cultural com o comprometimento latente de 250 jovens com seus futuros.Dentro de 10 comunidades da Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro.


A dinâmica do projeto trabalhou a fundo o incentivo e a conscientização de cidadania, meio ambiente, participação através de gincanas, fóruns de discussão, torneios, pesquisas locais, dentre outras atividades que tinham com foco a mobilização comunitária e o reconhecimento da importância das atividades do projeto no processo de amadurecimento do desenvolvimento local.
Tal projeto, possibilitou ainda a criação de uma Rede que além de promover a construção de um conselho jovem, será virtual (através de um site) para debates nos fóruns temáticos, que têm objetivos de ampliar a discussão e a proposição de políticas para a juventude.


Sob o nome de Rede Juventude Cidadã, tal proposta surge como um canal para acesso de todos os jovens que se compreendem protagonistas de suas ações na sociedade. É um canal de troca de experiências e informações importantes para o estabelecimento de uma rede de cooperação, visando amadurecimento cidadão dos jovens.


O Projeto ainda possibilitou a formação de um conselho com dez jovens como uma estratégia para participação em discussões sobre a situação que se encontra o público jovem e as propostas de políticas para os mesmos.

A proposta da Rede

Rede Juventude Cidadã é mais uma iniciativa institucional, para a construção de uma Rede, que é atualmente a forma mais eficiente de articulação entre diferentes organizações sociais.


A proposta da Rede, como supunha Manuel Castels, é de uma manutenção constante da circulação de infamações, possibilitando o fluxo contínuo dessas, mesmo que um nó/conexão dessa rede se desligue, ou não interaja, a rede continuará funcionando.


A proposta da Rede é facilitar ainda mais essas articulações, além disso, idéia de rede implica em pensar na possibilidade de integração da diversidade, ponto principal para promoção de políticas públicas (direitos), tendo como atores, em primeira instância, jovens que participaram ou são beneficiários de projetos sociais ligados ou não a instituição executora do projeto.


O principal objetivo desse trabalho em rede será :
• Fomentar e promover o protagonismo juvenil com base em ações pensadas e desenvolvidas pelos próprios jovens.


• Ampliar uma rede de comunicação que proporcione o desenvolvimento desses jovens e o intercâmbio de valores culturais, sociais, étnicos e principalmente de ordem cidadã,


• Fomentar cada jovem envolvido a exercer sua cidadania contribuindo, ainda para a formação de políticas públicas para juventude, através de um fórum onde serão discutidas propostas e idéias de forma participativa a serem encaminhadas num último momento para um conselho;


A metodologia aplicada nesse trabalho será uma interlocução entre projetos/movimentos sociais voltados para a juventude, fazendo com que se estruture uma rede de troca de conhecimentos entre esses jovens, dando inicio a construção do Conselho Jovem, e assim partir para inserção dos envolvidos em discussões que visem o seu fortalecimento e inclusão no meio social, ou seja, audiências públicas, seminários, fóruns, etc.


Os resultados e/ou encaminhamentos dessas participações influenciarão as novas pautas de debates no conselho e no fórum virtual, as quais serão usadas como referências para construção de um novo modelo de propostas e ações pensadas para a juventude e, logo estarão sendo encaminhadas formalmente pelo conselho aos órgãos responsáveis.


O principal objetivo dessa rede é propiciar uma socialização de informações e troca de experiências entre a juventude, e assim criar uma maior integração entre jovens de áreas geográficas e atividades distintas para a construção e promoção de ações de novos modelos de políticas de trabalho para a juventude.

Considerações Finais


Entre os consensos que vêm sendo construídos no atual processo de debates sobre a necessidade de políticas de juventude, um deles é especialmente oportuno: o de que os jovens têm de ser considerados como sujeitos de direitos. Porém, levar em consideração os sujeitos a quem se destinam as políticas implica, necessariamente, procurar conhecer suas realidades, questões, práticas, opiniões e demandas. (NOVAES, 2003)


O trecho anterior reafirma as considerações abordadas neste artigo, de que a juventude precisa protagonizar as ações e políticas voltadas pra si.Contudo para que isso aconteça, é preciso instrumentalizar, contextulizar e ampliar o campo das idéias dos jovens de hoje.
È neste sentido que a proposta da rede juventude

cidadã vem contribuir neste momento para que esses consensos se concretizem em ações futuras, adequadas as diferentes juventudes que há por esse país.
Portanto, deve-se, sobretudo, valorizar o papel que os jovens podem desempenhar na transformação de sua realidade e da sociedade, investigando seus valores, posições, disposições e práticas de participação.

Bibliografia:
MORAES, Marcia Oliveira. O conceito de rede na filosofia mestiça. Revista Informare, v. 6, n. 1, p. 12-20, 2000.
COELHO, Alonso Nunes. In Juventude e Políticas Públicas, in Revista Mundo Jovem -out. 2003
NOVAES, Regina.In Retratos da juventude brasileira. Editiora Perseu Abramo.2003


 
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