| Antônio
Santiago (Goiânia - GO)
Publicado em 18/10/2005
Crianças goianas
trocam as brincadeiras infantis
e a escola pela árdua luta
pela sobrevivência.
Tamires
é uma criança de apenas
11 anos de idade. Ela trabalha nas
ruas da cidade de Goiânia
vendendo panos de prato. “Eu
trabalho para ajudar minha mãe”,
diz a menina, que tanto se esforça
para ajudar nas despesas de casa.
Em Goiás, muitas crianças
como Tamires sofrem por não
terem a oportunidade sequer de freqüentarem
uma escola e terem uma vida digna
perante a sociedade. Muitas mostraram
que seus próprios pais as
obrigam a exercer tal atividade
para o sustento de sua casa, causando-lhes
transtorno, prejudicando o desenvolvimento
físico, emocional e mental.
Apenas
parte dessas crianças trabalha
no setor urbano. A
maioria está mesmo no setor
rural, em atividades agrícolas,
em condições muito
perigosas para a saúde, pois
utilizam ferramentas cortantes,
carregam cargas pesadas e estão
expostas a substâncias tóxicas,
quase sempre sem a proteção
adequada. Muitas vezes o trabalho
não é pago em dinheiro,
mas em mercadorias, contrariando
as leis trabalhistas. A
freqüência à escola
também não é
respeitada, porque, em geral, a
criança trabalha por muitas
horas.
Dando
um duro danado
Na
cidade de Goiânia, a jornada
de trabalho dessas crianças
pode chegar de 07 a 12 horas para
26% delas, perdendo apenas os números
de São Paulo, com 28%. É
o caso de Nathan, de 9 anos, que
trabalha das 5h da manhã
até o meio dia vendendo queijo
na Feira da Vila Nova. “Eu
acordo cedo e vou ajudar meu pai
a descarregar a mercadoria e montar
a barraca. Depois, fico vendendo
junto com ele” conta.
O trabalho
duro também prossegue à
noite para 15% das crianças
goianas. Eduardo, 9 anos, que o
diga. Ele trabalha vendendo amendoim
nos bares das 20h às 1h da
madrugada, ganhando 45 reais por
mês. “Eu trabalho para
ajudar meus pais porque nós
somos pobres. Eles me mandam trabalhar
para ajudar a sustentar a casa”,
diz. Em relação ao
trabalho infantil, Goiás
só ganha (com menos crianças
ralando por aí) para Porto
Alegre (17%), Belo Horizonte (18%)
e Belém (20%).
No caso do
trabalho infantil urbano, muita
gente pode até imaginar que
o maior parte dos trabalhadores
estão nas ruas, mas os números
coletados pelo IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística)
surpreendem. Em Goiânia, 38%
das crianças estão
empregando sua força de trabalho
nas empresas, 13% nas ruas e 33%
em casa. A capital de Goiás
só perde para Porto Alegre
que registra 60% do trabalho infantil
em empresas, 21% nas ruas e 14%
em casa.
Isso acontece
porque o trabalho infantil é
preferido pelos empregadores por
ser mais barato. Em Goiânia,
40% do público infantil trabalhador
ganha até meio salário
mínimo (R$ 150,00) e 31%
de meio a um salário mínimo.
Mais uma vez, São Paulo é
a única cidade brasileira
que pode lamentar a dianteira nessa
disputa, 52% das crianças
trabalhadoras não ganham
mais que meio salário mínimo.
Desobedecendo a lei
Não
são poucos os instrumentos
da lei no Brasil que garantem as
essas crianças uma vida bem
diferente da que possuem hoje. A
lei maior do nosso país -
a Constituição Federal
de 1988 -, que está de acordo
com a Convenção 138
da OIT (Organização
Internacional do Trabalho), proíbe
o trabalho noturno, perigoso ou
insalubre a menores de dezoito anos.
Bem como qualquer trabalho a menores
de quatorze anos, salvo na condição
de Aprendiz.
O IBGE encontrou
581 mil crianças exploradas,
trabalhando sem salários,
impedidas de brincar e estudar.
Dados que, mais uma vez, vão
de encontro à Constituição
Brasileira quando diz que a criança
e o adolescente devem ter garantidos
seus direitos trabalhistas e previdenciários.
Ou seja, seu trabalho deve ser pago
e registrado, com as devidas contribuições
à Previdência Social.
Além disso, seus direitos
à profissionalização
e à capacitação
adequada têm de ser respeitados
e é fundamental que seu horário
de trabalho permita a freqüência
à escola.
O Estatuto
da Criança e do Adolescente
reforça a Constituição
e a Convenção da OIT
proibindo qualquer tipo de trabalho,
ou exploração a menores
de quatorze anos de idade, salvo,
também, na condição
de Aprendiz. O ECA garante ainda
às crianças e adolescentes
o direito à moradia, educação,
lazer e as atividades sócio-educativas
para melhor desenvolvimento humano.Mas
a realidade teima em mostrar o verdadeiro
descaso às leis brasileiras.
Os meninos e meninas com quem conversamos
na cidade de Goiânia mostraram
ser crianças e adolescentes
infelizes, porém com muita
vontade de um dia realizarem sonhos
deixados para trás.
Trabalho muito, educação
zeroCom base em dados fornecidos
pelo IBGE, Fundação
Abrinq pelos Direitos da Criança
e DIEESE - Departamento Intersindical
de Estatísticas e Estudos
Sócio-Econômicos, estima-se
que cerca de 3,8 milhões
de crianças e adolescentes
entre 5 e 16 anos trabalham no Brasil.
Duas de cada 10 crianças
trabalhadoras não freqüentam
a escola. Como conseqüência,
a taxa de analfabetismo entre elas
atinge 20,1%, contra 7,6% no caso
das crianças que não
trabalham.Na faixa etária
de 15 a 17 anos também se
notam os efeitos danosos do trabalho
sobre a escolarização.
Entre os adolescentes que trabalham,
somente 25,5% conseguiram concluir
os oito anos de escolaridade básica,
enquanto que entre os adolescentes
que não trabalham esse percentual
é significativamente maior:
44,2%.
fonte
Portal
Sou de Atitude
http://www.soudeatitude.org.br/
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