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Relatório Global sobre a Violência
contra Crianças
Este relatório se baseia no estudo
aprofundado realizado por Paulo Sérgio
Pinheiro, especialista independente designado
para esse fim pelo secretário-geral
[da Organização das Nações
Unidas (ONU)], de acordo com a resolução
57/90 de 2002 da Assembléia Geral.
Paulo Sérgio Pinheiro é professor
de ciência política e diretor
do Núcleo de Estudos da Violência
da Universidade de São Paulo. É
relator especial das Nações
Unidas para a situação dos
Direitos Humanos no Burundi; membro da Comissão
Internacional de Investigação
Humanitária (International Humanitarian
Fact Finding Commission, Berna, Suíça);
e diretor da Comissão Teotônio
Vilela de Direitos Humanos (São Paulo).
Tem ensinado na Columbia University (Nova
York), na École des Hautes Études
em Sciences Sociales (Paris) e no Kellogg
Institute of International Studies, na Universidade
de Notre Dame (EUA). É autor de vários
livros e ensaios sobre violência e
direitos humanos.
O documento apresenta uma visão global
da violência contra crianças
e propõe recomendações
para prevenirmos e lidarmos com essa questão.
Ele fornece informações sobre
a incidência de diversos tipos de
violência contra crianças dentro
de suas família, escolas, instituições
assistenciais alternativas, instituições
de privação de liberdade,
locais nos quais elas trabalham e comunidades.
O relatório é acompanhado
por um livro que apresenta uma narrativa
mais detalhada do estudo.
O estudo foi elaborado a partir de um processo
participativo que incluiu consultas regionais,
sub-regionais e nacionais, reuniões
temáticas entre especialistas e visitas
de campo. Muitos governos também
forneceram respostas abrangentes a um questionário
que lhes foi passado pelo especialista independente
em 2004.
É possível destacar,
deste estudo, os seguintes pontos:
1. A violência contra
crianças não é inevitável.
Ela pode e precisa ser prevenida.
2. Todas as crianças
têm o direito a uma vida isenta de
violência. A violência contra
as crianças nunca pode ser justificada.
3. As crianças podem
oferecer uma valiosa contribuição
para nos ajudar a compreender a violência
que enfrentam e os danos que ela lhes causa.
Precisamos ouvir e aprender com elas e envolvê-las
na identificação de soluções.
4. A melhor maneira de
lidarmos com a violência contra crianças
é detendo-a antes que ela ocorra,
investindo em programas de prevenção.
Os Estados devem investir em políticas
e programas baseados em provas que ataquem
os fatores que originam a violência
contra crianças e tomar as medidas
necessárias para garantir que recursos
sejam alocados para atacar suas causas subjacentes.
5. Ao mesmo tempo em que
priorizam a prevenção de violência,
os Estados e todos os setores da sociedade
devem também cumprir sua responsabilidades
de proteger as crianças e responsabilizar
todas as pessoas que as colocam em situações
de risco.
6. A violência ameaça
a sobrevivência, o bem-estar e as
perspectivas futuras das crianças.
As cicatrizes físicas, emocionais
e psicológicas da violência
podem ter sérias implicações
para o desenvolvimento, a saúde e
a capacidade de aprender das crianças.
7. A violência contra
crianças desconhece fronteiras. Ela
ocorre em todos os países e em todos
os grupos sociais, culturais, religiosos
e étnicos.
8. Grande parte da violência
contra crianças é camuflada.
O abuso de crianças freqüentemente
ocorre a portas fechadas e é praticado
por pessoas em quem a criança deveria
confiar -– pais, parentes e conhecidos.
As crianças freqüentemente sofrem
em silêncio, temendo que, se denunciarem
atos de violência, sofram alguma vingança
ou por vergonha.
9. Todas as crianças
estão expostas ao risco da violência
precisamente por serem crianças.
No entanto, algumas crianças –
em função do seu gênero,
raça, origem étnica, deficiência
ou condição social –
são mais vulneráveis.
10. A violência contra
crianças não se restringe
unicamente à violência física.
Atos de abuso, negligência e exploração
também são formas de violência.
As crianças afirmam que a discriminação
e a humilhação às magoam
profundamente e deixam marcas.
11. Agredir uma criança,
em qualquer forma, ensina que a violência
é aceitável, perpetuando seu
ciclo. Prevenindo a violência hoje,
ajudamos a construir um futuro no qual ela
não será mais tolerada.
12. A violência perpetua
a pobreza, o analfabetismo e a mortalidade
precoce. As cicatrizes físicas, emocionais
e psicológicas da violência
privam as crianças de sua oportunidade
de realizar seu potencial. Repetidamente
multiplicada, a violência contra crianças
priva a sociedade de seu potencial de desenvolvimento,
minando o progresso que poderia alcançar
na consecução dos Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio.
Compilação de informações
extraídas do resumo do relatório,
de material distribuído pela Agência
de Notícias dos Direitos da Infância
(www.andi.org.br)
e do site do Ministério das Relações
Exteriores (www.mre.gov.br).
O relatório está disponível
na área de links relacionados desta
página (no alto, à direita),
em formato "pdf".
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