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Criado em agosto
de 2005, o Conselho Nacional de
Juventude (Conjuve) realizou
seu primeiro seminário entre os
dias 27 e 29 de novembro últimos.
O encontro, que ocorreu na cidade de Niterói,
no Rio de Janeiro, reuniu especialistas,
parlamentares, gestores públicos,
fundações empresariais e
jovens de diferentes regiões do
País, matizes políticos,
raças, etnias e orientações
sexuais. Discutir políticas públicas
para a juventude foi o principal objetivo
do encontro, que reuniu 450 pessoas na
Associação Atlética
Banco do Brasil. As discussões
giraram em torno dos trabalhos desenvolvidos,
no último ano, pelos membros do
Conjuve consolidados no livro ‘Política
Nacional de Juventude – Diretrizes
e Perspectivas’.
O seminário foi o pontapé
inicial numa discussão que começou
em 2005 com a criação do
jovem conselho. Formado por 60 conselheiros,
entre representantes da sociedade civil
e do poder público, o Conjuve serviu
para abrir o diálogo entre os vários
setores da sociedade envolvidos direta
ou indiretamente com a questão
juvenil. “A meta agora é
organizar uma conferência nacional
e criar um plano plurianual”, avalia
Regina Novaes, presidente do conselho.
Já para o secretário Nacional
de Juventude, Beto Cury, o seminário
serviu para coroar um momento histórico:
“A juventude está deixando
de ser olhada como uma fase de transição
entre a adolescência e a vida adulta.
Ela passa a ser vista como um segmento
social que tem direitos específicos”.
O ministro da Secretaria Geral da União,
Luiz Dulce, representantes dos ministérios
da Educação, do Esporte,
do Desenvolvimento e do Trabalho, também
estiveram presentes ao encontro. Apesar
dos elogios aos avanços conquistados
até agora, a ministra da Secretaria
Especial de Políticas e Promoção
da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro,
aproveitou para chamar a atenção
para a necessidade de as políticas
públicas romperem as barreiras
da Secretaria Nacional da Juventude. “Precisamos
atingir todas as áreas do governo.
Só assim os jovens estarão
definitivamente inseridos na sociedade”,
defendeu Matilde.
O presidente da União Nacional
dos Estudantes (UNE), Gustavo Petta, admitiu
que a institucionalização
de uma política nacional de juventude
foi sem dúvida um avanço,
mas não suficiente. Ele considera
indispensável que o segundo mandato
do presidente Lula seja mais ousado e
defenda um projeto nacional para essa
fatia da população. Apesar
de 17 ministérios terem ações
específicas e programas voltados
para a juventude, essa população
corresponde a 60% dos quatro milhões
de desempregados. Além do fato
de ser presa fácil e alvo preferencial
dos indicadores de homicídio. Quase
68% dos jovens de até 15 anos que
já poderiam ter completado o ensino
fundamental, ainda não concluíram
esse ciclo e 38% dos menores de 18 anos
ainda freqüentam. Com relação
ao ensino médio, 60% dos jovens
estão matriculados, embora apenas
47% o façam antes dos 17 anos.
A publicação de ‘Políticas
Públicas – Diretrizes e Perspectivas’
é um marco nas discussões
das questões da juventude e do
estudo das políticas existentes,
falta agora tirá-lo do papel. A
Secretaria Especial da Mulher, por exemplo,
não tem uma política voltada
especificamente para a juventude. Assim
como falta elaborar ainda uma Política
Nacional de Saúde para Adolescentes
e Jovens.
Fonte: Liana Melo/Especial
para Onda Jovem
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