Políticas para
a juventude avançaram no último
ano
A compreensão
de que as políticas públicas
voltadas para os jovens não devem
atender apenas aos que estão em situação
de risco foi apontada como um dos avanços
ocorridos no último ano pelo secretário
Nacional de Juventude, Beto Cury. Em entrevista
sobre o primeiro ano de existência
da secretaria, completado no dia 1º
de fevereiro, Cury disse que o governo procura
atender toda a juventude. "Um
avanço que eu considero significativo
é uma mudança na concepção
por parte do governo de superar a visão
meramente emergencial de que jovem para
ser beneficiado tem que estar em situação
de risco", disse em entrevista à
Radiobrás.
Segundo o secretário,
as ações para a juventude
atualmente procuram dar oportunidade a
toda a população jovem do
país. "Temos diversas juventudes.
Não dá para se comparar
a juventude urbana da periferia do grande
centro com a juventude rural. São
diferentes. Temos que entender que precisamos
pensar uma política para essas
juventudes", afirmou.
Conselho Nacional ampliou debate
Cury acredita que o Conselho Nacional
de Juventude tem sido um espaço
importante para a avaliação
e a proposição de políticas
públicas para os jovens. O conselho
foi criado em agosto do ano passado e
conta com 60 integrantes, sendo 40 representantes
da sociedade civil e 20 do poder público.
"O conselho tem sido um espaço
privilegiado na consolidação
da temática juvenil como política
de Estado no Brasil", afirmou Cury.
O secretário destacou
que o órgão tem uma formação
bastante plural, com pessoas de entidades
estudantis, religiosas, acadêmicas,
sindicais e empresariais. Também
fazem parte do conselho pessoas que trabalham
a relação da juventude com
temas específicos, como o meio
ambiente e a realidade rural. "Nós
temos representações nas
cinco regiões do país, não
de todos os estados, mas das cinco regiões
do país. Tem representação
dos estados, dos municípios e uma
representação da Frente
Parlamentar de Juventude da Câmara
dos Deputados", acrescentou.
Para Cury, o conselho também serviu
para estimular o protagonismo juvenil
fora dos movimentos estudantis. "Algum
tempo atrás, a temática
da juventude ficava restrita ao movimento
estudantil. Hoje, o movimento estudantil
ainda tem uma participação
e uma importância significativas
para a temática, mas não
é mais [o único ator]. É
uma diversificação que eu
considero muito positiva".
ProJovem deve alcançar 200 mil
estudantes
Na mesma entrevista, Cury estimou que
o Programa Nacional de Inclusão
de Jovens (ProJovem) deverá beneficiar
200 mil jovens nos próximos meses.
Segundo ele, a consolidação
do Projovem é um dos principais
desafios da secretaria em 2006.
Atualmente, o programa
atende 90 mil estudantes e está
presente em todas as capitais do país.
Podem participar os jovens de 18 a 24
anos que não concluíram
o ensino fundamental e que não
estejam trabalhando. Eles recebem formação
profissionalizante e uma bolsa-auxílio
de R$ 100 por mês durante um ano
para que terminem os estudos.
O ProJovem foi criado a
partir das sugestões de um grupo
interministerial, criado em 2004. Esse
mesmo grupo estabeleceu nove desafios
do governo federal para a área
da juventude: (1) ampliar o acesso à
escola pública de qualidade, (2)
erradicar o analfabetismo entre os jovens,
(3) gerar trabalho e renda, (4) qualificar
para o mundo do trabalho, (5) ampliar
o acesso ao esporte, ao lazer, à
cultura e à tecnologia de informação,
(6) assegurar direitos humanos e política
afirmativa, (7) promover vida saudável,
(8) ampliar o espaço de cidadania
e participação social do
jovem e (9) melhorar a qualidade de vida
do jovem que mora no campo e nas comunidades
tradicionais, como quilombolas e indígenas.
Segundo o secretário,
esses desafios têm orientado todas
as ações do governo para
a juventude. "Para todos eles hoje
o governo tem programa para enfrentá-los",
disse. Entre as iniciativas, o secretário
destacou na área de educação,
por exemplo, o Programa Universidade para
Todos (ProUni) e a proposta de criação
do Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação Básica (Fundeb).
Para a questão
da formação profissional,
o governo possui programas como o Escola
de Fábrica e os consórcios
de juventude, ação integrante
do Primeiro Emprego. Além da consolidação
do ProJovem, Cury disse que a secretaria
vai trabalhar para fortalecer a integração
dos programas desenvolvidos por diferentes
ministérios. "O processo de
integração dos diversos
programas do governo fará com que
eles se configurem como uma política
nacionalmente articulada", explicou.
Fonte: Agência Brasil
|