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Um grande número
de jovens, grafiteiros, de toda parte
do Rio de Janeiro vem se reunindo mensalmente
em alguma favela carioca para levar a
arte do grafismo até as pessoas
que não tem esse acesso. –
“As pessoas daqui (favela) só
vêem a pintura pronta nas ruas da
cidade, mas nunca a produção
dela (...) quando pensamos esse evento
(...) ele deveria ser nas favelas e não
na pista...” (Criz – grafiteiro
e um dos idealizadores).
O evento foi chamado de
“MUTIRÃO DE GRAFFITII”
e já está na sua quarta
edição. Uma iniciativa de
pessoas que perceberam que faltava alguma
coisa ligada a arte nas favelas carioca,
a monotonia e o apartheid social são
uns dos responsáveis por esta demanda,
a partir daí cria-se esse grande
evento.
O graffiti é uma
forma de expressão contemporânea
e vinda das ruas, nascida das ruas, e
por isso a proposta de levar para as favelas,
onde a rua é muito forte no lazer
desde a infância dos moradores,
além de abordar nas pinturas todo
seu contexto de protesto e de pressão
social.
O Mutirão vem acontecendo
aos domingos, o último aconteceu
no dia 25 de outubro numa das comunidades
do Complexo do Alemão com o apoio
na produção da ONG local
Raízes
em Movimento. Vale ressaltar, que
este em especifico foi realizado com muita
pressão, pois era um momento que
a comunidade passava por uma ocupação
policial intensa. Mas ficou provado por
mais uma vez que a arte e a vontade podem
ultrapassar todas as barreiras.
No inicio era o Mutirão
de Graffiti, na verdade só o primeiro
foi de graffiti, porque o encontro foi
tomando uma proporção tão
grande e prazerosa para os participantes,
que podemos dizer que passou a ser “Mutirão
de todas as tribos”, com todo respeito
aos idealizadores. Mas é que a
partir do segundo, na comunidade do Arara
– Bonsucesso - aconteceram diversas
atividade além do graffiti.
O espaço ficou pequeno
para uma só expressão, para
uma só forma de pressão,
enfim, foi preciso ampliar o ambiente
do mutirão. São muitas as
formas possíveis de levar harmonia
onde quase não existe. A música
veio com toda força complementando
e reforçando a importância
da arte nas nossas vidas através
das palavras improvisadas dos mc’s.
Sim, improvisadas! É
o Freestyle ganhando espaço no
mutirão. Estilo livre, onde o MC
- Mestre de Cerimônia cria sua música
na hora, sem está decorada. Muitas
vezes trazendo um contexto social, criando
assim mais uma forma de mostrar o desagrado
com a sociedade que estamos vivendo.
Eventos como o Mutirão
são raros, principalmente nas grandes
favelas do nosso estado, este considerado
belo por natureza, por casos do tipo conflitos
entre traficantes e policiais e o mais
sério na minha opinião:
descaso. Descaso do poder público
em não investir em cultura ou coisas
do tipo que levem a esta parte, também
do país, um pouco de valor sobre
sua própria vida e a valorização
artística cultural. O que vemos
como lazer, muitas vezes são os
espaços criados que cultivam a
pornografia feminina precoce e apologia
ao crime local. Podemos afirmar que o
Mutirão surge para mudar essa realidade
e mostrar que existem outras formas de
lazer o perspectivas de vida.
A arte é uma potencialidade
a ser trabalhada dentro destas localidades
menos favorecidas. No decorrer dos Mutirões,
percebemos que os moradores se realizam
ao ver a transformação ocorrida
naquele certo local. Muitas vezes próximo
a um lixão ou até mesmo
no muro de sua própria casa. –
“Muito obrigado, deixaram meu muro
lindo, melhor que essas pixações
que fazem por ai no morro”. (Moradora
que cedeu seu muro)
_ “É um evento
totalmente diferente, pois é dedicado
aos moradores de comunidades que pelo
sistema são pisoteados constantemente.
Com o mutirão levamos arte graffiti
e informação correta do
que ta acontecendo no dia a dia de nosso
país e colorimos as comunidades”.
(MV Hemp – MC e um dos idealizadores)
É a juventude mais
uma vez mostrando a capacidade que tem
de levar a transformação
nos locais onde as estimativas para tal
são latentes. O graffiti vem se
transformando numa das ferramentas mais
importante das artes contemporâneas
pelo fato de ser utilizado na maior parte
pelos jovens, sabendo-se que são
eles que têm o poder de causar mudança
e impacto.
O próximo é
dia 19/11 e a favela a “sofrer”
esta transformação, e passar
a ceder mais uma galeria artística
ao céu aberto, é a comunidade
da Vila Operária em Caxias. É
o Mutirão chegando a outros municípios
do Rio de Janeiro.
O Mutirão
agradece a todos aqueles que comparecem
e contribuem para transformarem as vielas
das comunidades mais coloridas e principalmente
ao pessoal da Rede de Resistência
Solidária do Recife. Segundo MV
Hemp, eles que o ensinaram a desenvolver
este evento e levar arte a quem não
tem e uma proposta de aumento de perspectivas
para suas próprias vidas.
Assista ao vídeo do último
mutirão produzido pela Expresso
22.
http://www.youtube.com/watch?v=c5pwgFDR56A
David da Silva
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